organicidade

  • Margem
    Margem

    Obra de Débora Bolsoni na mostra Absurdo.

    Técnica: Site specific

    Fotografia: Laura Lima

    Absurdo / alteração dos sentidos / Débora Bolsoni / linguagem / passeio
  • O movimento orgânico
    O projeto pode se articular a partir da escolha de um método cuja dinâmica e cujos resultados escapam ao controle racional e à vontade consciente. Por exemplo, pode resultar do movimento orgânico, em que o corpo se torna caixa de ressonância que filtra e traduz imagens interiores e imagens exteriores. Em muitos casos, o movimento envolvido afasta-se do processo da escrita - talvez um dos processos mais codificados da atividade humana -, como no caso dos desenhos de Henri Michaux. Tanto Michaux como John Cage preocuparam-se, das mais variadas formas, em propor práticas que permitissem responder, ou confrontar, as convenções e hierarquias preponderantes da palavra, por um lado, e da estrutura musical, por outro. Ambos permitiram a entrada do não previsível nas suas obras e privilegiaram o presente e o fluir do próprio processo, e não a necessidade de uma obra terminada.
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    É no registro do fantástico que a pluma de Nina Lola Bachhuber delineia a ordem sob a qual as séries de figuras monocromáticas são transformadas. Suas figuras são apresentadas como verdadeiras mutações de seres ora biomórfico-góticos, geométricos (com alguma reminiscência dos figurinos de teatro construtivista), ora, no caso de suas caveiras, entre míticos e surreais. Em cada série, a transformação proposta parece delinear uma linguagem em que cada desenho responde a uma sintaxe e a uma gramática próprias, cuja precisão de aparente rigor científico contrasta com a liberdade de suas propostas.
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    Os gestos e mínimos traços de Linda Matalon articulam um diário íntimo que se constrói como um palimpsesto de vivências. São trabalhos que registram a ação mais insignificante sobre um papel previamente tratado com cera. O gesto é controlado, embora acolha, em si mesmo, o acaso próprio do fazer e de seus pequenos acidentes. 
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    Delcy Morelos explora os sistemas e interstícios de seu próprio corpo para traduzir visualmente sua ordem e sua organicidade. As tramas e a paleta escolhida sugerem tanto a visão de um mundo interior, orgânico, físico, organizado, como uma cosmogonia externa que se refere às redes de relações humanas - que tantas vezes atravessam a violência e a dor.
  • Desenhos na 7ª Bienal
    Juan Downey destaca o fluir do presente nos desenhos que realiza durante sua longa permanência entre os indígenas yanomamis no período de 1976 e 1977, os quais resultavam de suas meditações diárias. Essas costumavam implicar uma busca de intimidade e combinavam tanto a forma circular experimentada como imagem residual depois do processo de meditação quanto a própria cosmologia dos indígenas, cujas moradias e cujos cerimoniais eram desenvolvidos a partir de estruturas circulares e concêntricas.
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    Abraham Cruzvillegas indaga a própria constituição de si mesmo em relação a sua família e a sua sociedade. Seu projeto Autoconstrucción toma como metáfora a dinâmica das construções edilícias precárias que crescem de forma orgânica e improvisada, sem orçamento, e que marcaram a experiência de vida e familiar do artista. Em Tratado de Libre Comer (2009), Cruzvillegas recobre completamente de tinta vermelha centenas de documentos que são a evidência de seu fazer, postulando interrogações sobre o processo de cancelamento da imagem - de suas qualidades visuais, de seu significado, de seu poder comunicativo - pois paradoxalmente, como indica o artista, \"como resultado desta somatória de negações, a uma afirmação da identidade individual, uma vontade de apelar à dúvida e ao ceticismo, um questionamento dos significados universais e globais.\"
  • a força da gravidade

    \"Trabalho com a ação consciente das inter-relações matéricas num campo de forças: minhas pulsões, as propriedades do papel e da tinta e a força da gravidade. Nestes desenhos, a tinta derramada sobre a folha de papel é o agente transformador do material utilizado. Ela escorre, inscreve, traça, condensa-se em contato com o ar nos seus percursos, nas paradas e retomadas. A gota desce a superfície do papel, atraída pela força da gravidade enquanto seguro este entre minhas mãos. Como um capitão de navio segura o leme, movimento-os no ar firmemente, e com olhar atento capturo e incorporo o acaso.  Assim, um sistema se estabelece - simples e primeiro.\" - Anna Maria Maiolino 

  • movimento dentro do movimento
    \\\"Escutando os sons da selva como sons de fundo, fecho meus olhos e encontro um movimento dentro do movimento.\\\" - Juan Downey
  • Is a statement really necessary....
    \\\"Não é óbvio que eu pinto para deixar as palavras para trás, para colocar um fim à pergunta irritante de como e por quê? Poderia ser verdade que desenho porque vejo tão claramente isso ou aquilo? Em absoluto. Muito pelo contrário. Desenho para ficar perplexo novamente. Estou muito feliz se há armadilhas. Busco surpresas. Saber me aborreceria. Eu odiaria. Deveria, pelo menos, saber o que esteve acontecendo? Nem isso. Outros irão vê-lo de forma diferente e, talvez, estariam melhor posicionados para saberem. Eu tenho um propósito? Não importa. Não é o que eu quero que deverá acontecer, mas o que tenta acontecer apesar de mim... .\\\" - Henri Michaux
  • Sem título
    Sem título

    1997

    da série "Codificações matéricas"

    Tinta acrílica sobre papel

    103 X 72 cm

    Cortesia da artista, SP

    Anna Maria Maiolino / corpo / desenho / Desenho das Ideias