desmistificação

  • O samba
    \"´O Samba´ trata da resistência do negro na história brasileira e da importância do seu corpo na construção de sua identidade. O espetáculo discute a inter-relação entre o corpo-objeto construído pela diáspora e o corpo-sujeito que transgride, afirma e resiste, cria uma corporeidade que devolve ao corpo-objeto o sujeito que lhe foi extirpado ao longo da história, junto com sentimentos, valores, crenças, a palavra e suas singularidades estéticas. Samba, carnaval e erotismo constituem elementos aos quais o corpo negro brasileiro geralmente é associado. Dentro de um cenário composto por bandeiras brasileiras, construo em cena imagens corporais reconhecíveis e fragmentadas, questionando esse \"corpo negro\" objetificado.\" - Luiz de Abreu, email a Victoria Noorthoorn, 26 de maio de 2009.
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    Marta Minujín é uma figura emblemática na história da autogestão de projetos na Argentina. Incansável \"projetista\", Minujín transitou por múltiplas etapas durante sua produção, que se articula em torno a um eixo crítico pouco valorizado. Já no início dos anos sessenta, acionava performances de caráter efêmero, como no caso de Leyendo las Noticias en el Río de la Plata (1961), a qual, envolvida em papel de jornal, se submerge no rio denunciando as falácias da mídia. Vêm, depois, anos de ambientações pop e psicodélicas, ações na mídia, performances e happenings que incorporaram crescentemente a preocupação pela participação massiva, intenção que marcará fortemente seus projetos dos anos setenta e oitenta na Argentina e no mundo. Entre eles, realizou o Partenón de Libros, uma estrutura tubular de ferro do mesmo tamanho que o Partenón de Atenas, recoberta por milhares de livros proibidos durante a ditadura militar. O Partenón foi aberto e compartilhado com o público durante a noite de Natal de 1983, o primeiro ano do país novamente em democracia. Na exposição, apresentamos o projeto e a documentação dessa ação e incluímos também uma seleção pontual de desenhos de projetos não realizados, que em nosso entender carregam uma significação política especial, pois não apenas referem-se às ideias que portam, mas seu caráter de irrealização alude a uma problemática maior em um contexto que pouco apoia as grandes produções de arte mais atual.
  • Sobre a obra na 7ª Bienal
    Arturo Herrera incorpora referências do universo do consumo, mas aqui o humor está mais assolapado e é mais trágico. O espectador sofre um deslocamento quando observa a forma em que os mais queridos motivos iconográficos - imagens de fábulas infantis ou de contos de Disney, o jorro pictórico do artista norte-americano Jackson Pollock - sofrem alterações que os tornam maquiavélicos, ou sem sentido. Herrera critica as lógicas do pressuposto \"primeiro mundo\" - entre elas, o consumismo - e as torna carnavalescas. Diante do olhar próximo, revelam-se importantes vazios abertos à interpretação, que talvez se refiram àquilo que foi destruído.
  • Arte e ciência
    \"Minhas fusões de animais demonstram como a arte e a ciência podem dialogar e lançar uma nova luz sobre o mundo natural ou subverter esses paradigmas. Onde inicia um e acaba o outro? A ciência pode se equivocar?\" - Walmor Corrêa
  • Sobre Flávio de Carvalho
    \"Uma experiência sobre a psychologia das multidões da qual resultou sério distúrbio.Domingo, às 15 horas, quando desfilava pelas ruas do centro da cidade a procissão de ´Corpus Christi´, um rapaz muito bem posto que se achava na esquina da rua Direita e praça do Patriarcha, não se descobriu conservando ostensivamente seu chapéu na cabeca. Os crentes, que acompanhavam o cortejo, revoltaram-se con essa atitude e exigiram em altos brados que ele se descobrisse. Ele, no entanto, sorrindo para a turba, não tirou o chapéu, embora o clamor da multidão já se tivesse transformado em franca ameaça. Foi então que inúmeros populares tentaram linchá-lo. Investindo contra ele. O rapaz pôs-se em fuga, ocultando-se na Leiteria Campo Bello, situada a rua de São Bento, até onde foi perseguido pelos mais exaltados. (...) Nas suas declarações, disse que, há tempos, se vem dedicando a estudos sobre a psychologia das multidões e tem mesmo alguns trabalhos inéditos sobre a matéria. Para melhor orientação do seus estudos, resolvera fazer uma experiência sobre ´a capacidade agressiva de uma massa religiosa à resistencia da força das leis civis, ou determinar se a força da crença é maior do que a força da lei e do respeito à vida humana´. (...) Terminou suas declarações dizendo que não visava ofender a religião do povo, pois esperava de fato que se verificasse tal reação.\" - O Estado de São Paulo, 9/junho/1931
  • Limite na 7ª Bienal
    O magistral filme Limite (1931), dirigido por Mário Peixoto (1908-1992), em seus escassos 22 anos de idade, é um ícone do cinema brasileiro. Durante os 120 minutos de duração, o primeiro e último filme do autor desenvolve uma liberdade poética única, que independentemente de toda possível narrativa linear, dá conta do encontro, do choque, e da tensão que se sucedem entre o homem e sua paisagem, seu tempo e seu universo. De grande riqueza visual, o filme se distancia da austeridade presente nas outras obras da exposição, mas é, de qualquer forma, um exemplo perfeito do radicalismo e integridade de um grande artista, mestre da invenção e da liberdade criativa, que não cedeu aos mandados comerciais ou às pressões do contexto. Quando não encontrou as condições para a realização de seu segundo filme Onde a Terra Acaba, desistiu do empreendimento e dedicou-se inteiramente à escrita, desde sua casa em Ilha Grande.
  • Sobre Severa Vigilância
    O filme Severa Vigilância (2008) do artista colombiano François Bucher propõe uma representação que deixa em dúvida as próprias convenções do teatro, enquanto questiona as diferenças entre documento e ficção, entre realidade e representação. Homônima da obra escrita pelo polêmico dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986), a obra de Bucher se refere a um acontecimento na Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia, em 1999. Segundo Bucher:  \"O vídeo incorpora vários níveis de violência: desde a que é, a que não é, a que poderia ter sido. Também assinala a indecisão entre a violência e a representação da violência, as quais permanecerão sempre suspensas dentro de uma ficção (e seu duplo).\" 
  • O Vento
    Para a 7ª Bienal do Mercosul, Sergio De Loof foi convidado a conceber e por em cena um desfile para celebrar a inauguração da Bienal. O desfile é parte da mostra Ficções do Invísivel, e se realizou no Armazém A4, no Cais do Porto, Porto Alegre, na sexta-feira, 16 de outubro de 2009.
  • El Viento
    Para la 7ª Bienal do Mercosul, Sergio De Loof fue invitado a concebir y poner en escena un desfile para celebrar la inauguración de la Bienal. El desfile formo parte de la exposición Ficcoes do Invisível, y se realizo en el Almacén A4, Cais do Porto, Porto Alegre, el viernes 16 de octubre de 2009.
  • O Vento
    \"O desfile O Vento de Sergio De Loof movimenta-se em um registro paradoxal. Sob um aparente barroquismo e excesso de formas, assinala a precariedade da existência, a carência econômica e a fragilidade da situação do artista. Recentemente, referido como \"figura mítica do under portenho, a alma de bares, restaurantes e discotecas que foram convertidas em marcas de época, desenhista de moda fora das modas e, sobretudo, um artista admirado e discutido pela comunidade artística, capaz de produzir obras quase sem dinheiro, vendê-las por pouco valor e devolver à arte uma mística arrebatadora,\" De Loof tem conseguido, desde o princípio dos anos 1980, manter-se alternativo a todas as cenas oficiais. Seus desfiles-delírio postulam, a todo momento, uma crítica corrosiva, uma sátira e um cálido refinamento.\" - Victoria Noorthoorn
  • Véronique Doisneau
    A austeridade é explorada em Véronique Doisneau (2004), registro fílmico da coreografia de Jérôme Bel na qual o artista desmitifica a instituição da dança. Bel coloca em cena, sozinha, a Doisneau, bailarina do corpo de baile do Ballet de L´Opéra de Paris, que durante 35 minutos relata ao público a sua experiência dentro da poderosa instituição francesa, expondo seus sucessos, seus fracassos e os detalhes mais áridos e objetivos de seu trabalho, incluindo seu salário. Bel propõe um grau zero da dança, exibindo o processo criativo, despojado, cru, sem ornamentos nem retórica. Põe em cena o que há por trás da cena; exibe e socializa um processo que usualmente se desenvolve apenas no âmbito do ensaio ou do atelier. Na 7ª Bienal, apresentamos nas salas o filme documentário da performance Véronique Doisneau (dirigido por Bel e Pierre Dupouey) e, no Theatro São Pedro, Isabel Torres, obra gêmea criada para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 2005.
  • Isabel Torres
    Isabel Torres

    2009

    Isabel Torres, de Jerôme Bel, no Theatro São Pedro, Porto Alegre, no dia 17 de outubro de 2009.

    Performance na 7ª Bienal do Mercosul.

    Fotografia: Cristiano Sant'Anna

    desaprender o aprendido / despojamento / Ficções do Invisível / fragilidade / intimidade / Jérôme Bel / linguagem / subversão de estereótipos e convenções / teatro
  • Isabel Torres
    Isabel Torres

    2009

    Isabel Torres, de Jerôme Bel, no Theatro São Pedro, Porto Alegre, no dia 17 de outubro de 2009.

    Performance na 7ª Bienal do Mercosul.

    Fotógrafo: Cristiano Sant'Anna

    desaprender o aprendido / despojamento / Ficções do Invisível / fragilidade / intimidade / Jérôme Bel / linguagem / subversão de estereótipos e convenções / teatro
  • Pasaje Verne
    Pasaje Verne

    2009

    Técnica mista sobre tela

    185X224cm

    Cortesia da artista

    Absurdo / Alejandra Seeber / artifício / linguagem / Pintura